Todos os dias, ele me dizia que eu era nada, ninguém. Que eu não servia para nada. Dizia-me para não perder meu tempo sonhando, porque eu era uma incapaz. Uma louca. (Isso eu ouvia quando conseguia entender suas palavras...)
Obrigava-me a prestar meu corpo. Deixava-me sem comida.
Eu havia tentado fugir. Havia pedido ajuda. Mas, o resultado foi um mês presa num quarto, tendo que servir-lhe meu corpo, como ele bem entendesse.
Já fazia um ano, eu acho. Nunca havia sido boa de contas.
Havia momentos em que ele me obrigava a usar algumas substâncias estranhas: era um tipo de pílula. Tinha um profissional que o fornecia estes "remédios". E ele me dava em excesso, sempre me forçando a obedecer-lhe, sempre me violentando.
Tudo isso me deixava entorpecida. Eu delirava. Já nem distinguia o que era violência daquele indivíduo insano e o que era coisa da minha cabeça.
Eu não tinha roupas. Vivia semi-nua. Vivia sem um banho. Eu tinha náuseas. Dormia num colchão fino, posto diretamente sobre o piso, que não era varrido há tempos. Coisa que eu percebia desde a ocasião em que eu havia chegado naquele país.
Ele me esperou no aeroporto. Haviamos nos conhecido pela internet. Eu era diarista numa empresa no Brasil. E ele dissera-me que iria me ajudar a ganhar mais dinheiro. Dizia-se um diretor de muitos negócios importantes, de muito poder. E eu, tola, caí neste conto do vigário.
Ele me esperou no aeroporto. Haviamos nos conhecido pela internet. Eu era diarista numa empresa no Brasil. E ele dissera-me que iria me ajudar a ganhar mais dinheiro. Dizia-se um diretor de muitos negócios importantes, de muito poder. E eu, tola, caí neste conto do vigário.
Falávamos em nos casar. Falávamos em filhos. Tudo pela rede mundial de computadores. E eu estava bem. Eu não precisava sair da onde estava. Mas, eu saí. Por que raios eu quis mudar? Agora eu não tinha mais saída. Eu não tinha telefone. Não podia escrever um e-mail, enviar uma carta. Nada. Eu era vigiada. Vivia trancada.
Ele havia jogado fora minhas roupas. Acho que vendera todas. Meus sapatos. Meu celular. O pouco que eu tinha. Tudo havia ido embora e eu nem sei como. Havia caído numa ilusão. Eu, com meus 35 anos e meu sonho de vencer na vida. E não tinha nem como denunciar.
Eu estava num quarto fechado, sem janela, sem piso, apenas no cimento. Deitada num colchão sem lençol, eu vestia apenas peças íntimas. Tudo que eu sabia sobre o lugar onde estava: Espanha. Mais disso, nada.
Foi quando ouvi alguém bater a porta. E aquele homem golpista foi atender. Ouvi a voz de uma mulher dizer, com firmeza: "Tu estafador! Está preso!"
👍👏👏 tantas mulheres caem nesse golpe muito triste, mas é verdade.
ResponderExcluirSim. Muitas brasileiras, mulheres da áfrica também. Muita gente sonhando em viver uma vida melhor.
Excluir